Pamplona: Um Roca que já não precisa do apelido...


A primeira corrida de Toiros dos Sanfermines 2016 ficou marcada por nova demonstração do arrojo, valor e dimensão de um jovem de 19 anos e que explana a mais ampla e sentida forma de viver em toureiro: Andrés Roca Rey.

O primeiro Fuente Ymbro que enfrentou, um manso ordinário, rebrincado e perigoso, deu mostra do poderio e galhardia que o caracterizam. Ninguém pode ficar indiferente às faculdades e virtudes que caracterizam o jovem matador Peruano. Foi colhido de mau modo no início da faena de muleta, tendo sofrido corte na zona genital. Predispôs-se como um guerreiro, com um arrimón e um 'par deles' que dava para meio escalafón (e desculpem-me os sensíveis a vocabulário mais populista), inventou faena, deu a volta a uma amarga tortilha e reuniu consenso. Estocada caída e orelha. A fechar praça, e perante um noblón com falta de transmissão, o valor seco e o empaque que detém voltaram a patentear o futuro e as expectativas e esperança que se devem depositar nele. Tem o toureio sério na cabeça (ainda que por vezes se deixe levar pela 'nota artística'), tem temple e firmeza nas muñecas, seriedade e tranquilidade no transparecer de sentimentos, e uma vontade e ganas desmedidas. Com a mão esquerda logrou momentos de elevada qualidade, impondo ritmo e cobrando labor árduo ao toiro, com muletazos lentos e ligados, com a mão baixa e com amplitude. De 'rodillas' fez ecoar os olés, e as peñas 'calaram-se' para vibrar com o toureio de Roca Rey. Estoca fulminante, duas orelhas e volta ao ruedo para o toiro, exagerada e sem nexo.

O primeiro toiro do lote de Miguel Abellán revelou fundo e boa conduta, faltou-lhe classe mas Abellán deixou-o inédito e por se ver. Despegado e sem harmonia na muleta, pinchou por quatro vezes e foi silenciado. O quarto, um jabonero sucio de bonita presença e de nome 'Jazmín', evidenciou tónica de manso, com Abellán a fazê-lo parecer mais do que foi na realidade. Voltou a pinchar e foi silenciado.

Paco Ureña lidou em segundo lugar um Fuente Ymbro de aparatosa cara, mas que se revelou o mais importante toiro da tarde. Humilhou com recorrido, foi nobre mas faltou-lhe ritmo e maior codícia nas investidas. Ureña andou ligado e despacito por naturales, logrando bons momentos mas sem se conseguir impor de forma portentosa ao seu oponente. O quinto, com incertas e pouco claras investidas, não facilitou o toureiro murciano, que nunca chegou a acoplarse.

A praça estava cheia e com o ambiente tradicional que caracteriza as tardes de San Fermín
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