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    CRÓNICA CAMPO PEQUENO - 3 DE SETEMBRO: "Um duelo demasiado equilibrado"


    Um duelo demasiado equilibrado

    Esperava-se mais do mano-a-mano de ontem entre João Moura Jr e João Ribeiro Telles Jr.. Foi uma corrida agradável mas ficou um pouco aquém das expectativas.
    João Moura Jr.  apresentou-se no Campo Pequeno com a sua boa, segura e madura quadra de qualidade, mostrando que está a atravessar um momento muito bom. Toureia bem, mexe nos toiros com bastante maturidade e o que faz parece ser pensado com pés e cabeça. No seu primeiro toiro, um muito nobre de Charrua, daqueles toiros que agradam ao toureiro, teve uma actuação a roçar a perfeição. Sem um único erro, sem um ferro falhado, sem uma saída em falso, bregando primorosamente com o toiro sempre perseguindo o cavalo e indo sempre atrás da garupa do cavalo que com os seus ladeios parecia uma bailarina e o toiro sempre a acudir. Talvez não tenha tido a repercussão que merecia esta lide por ser a primeira e o público ainda estar frio ou talvez por as coisas serem tão bem feitas parecerem demasiado fáceis. No seu segundo toiro, um Grave bonito mas pouco bravo, Moura realizou a lide possível, tentando tirar o que podia do toiro e deu-lhe a volta saindo por cima do oponente. No último do seu lote, entrou em praça para arriscar. Pôs-se no meio da arena para receber o toiro de sorte de gaiola e cravou o primeiro comprido muito comprometido, metendo a praça consigo. Nos curtos, alternou ferros muito bons com algumas passagens em falso acabando a sua lide por não corresponder às ganas com que entrou para lidar este toiro de Pinto Barreiros que cumpriu.
    João Ribeiro Telles Jr., que tem tido uma temporada em crescendo, não se deixou intimidar e também mostrou que quer guerra. No seu primeiro, de Pinto Barreiros, um toiro bastante reservado e complicado que lhe causou alguns problemas de saída, Telles Jr cravou bons ferros curtos, sendo os últimos três os seus melhores ferros. No segundo do seu lote, um Charrua colaborante, Telles Jr. teve uma lide agradável estando melhor nos curtos, com pormenores de brega e recortes vistosos metendo a praça consigo. Talvez tenha abusado um pouco de velocidade nas sortes. No seu último, um Grave com alguma raça, que andou e colaborou com o toureiro, andou em plano bastante aceitável, com o senão das batidas ao pitón contrário raramente a serem feitas no momento certo. Mas mesmo assim o público gostou e aplaudiu.
    Quanto ao triunfador, o duelo foi muito equilibrado. O que Moura teve em maturidade, qualidade e segurança nas montadas, Telles Jr. teve em toureria e empatia. Para além do tourear, os dois cavaleiros também recorreram no final das lides aos adornos, como violinos e ferros de palmo, embora não tenha nem um nem outro acrescentado nada as suas actuações, cometeram os dois erros, quer em toques nas montadas ou os ferros ficando no chão.
    Mas havia outra competição em praça, uma rivalidade muito antiga entre forcados, os de Santarém e os de Montemor.
    O grupo de forcados amadores de Santarém foi distinguido com o galardão de mérito atribuído pela empresa do Campo Pequeno no início da corrida.
    Pegaram por estes Luís Sepúlveda à segunda tentativa, Lourenço Ribeiro concretizou à primeira tentativa um boa pega, e fechou João Brito ao segundo intento. De destacar na actuação do grupo de Santarém o valoroso e sempre voluntarioso forcado Nelson Ramalho.
    Pelo grupo de Montemor, consumou ao primeiro intento uma dura pega o forcado Francisco Borges. João da Câmara pega o segundo do seu grupo à segunda tentativa, e o experiente Frederico Caldeira fecha a corrida com uma pega correcta à primeira tentativa.


    A praça registava uma entrada de 3/4 da sua bancada preenchida, e foi um agradável espectáculo dirigido com muito acerto por Pedro Reinhardt.




    Por Alfredo Barbosa