Crónica de Beja: "‘Desanuviar…’"


Em tempo de férias, ‘veranias’ e emigrantes, realizou-se no dia 7 de Agosto a outrora apelidada de Corrida de São Lourenço. Uma data alterada e perdida ano após ano, como a Feira de Agosto em Beja, e que importava preservar como tradição.

Numa sexta-feira atípica de um mês de verão, a instabilidade climatérica que se fez sentir durante o dia na capital do Baixo Alentejo terá sido motivo contundente para afastar da ‘Varela Crujo’ um maior número de público, registando-se no entanto meia casa preenchida.

Lidou-se um curro proveniente da Herdade dos Outeiros, solar da Ganadaria que dá nome ao ‘ruedo’ Bejense. Consoante o padrão fenótipo dos ‘Varela’, não suscitaram qualquer reparo no que concerne a presença e apresentação, embora tenham dissemelhado no que respeita a potabilidade, sendo de destacar o segundo e o quarto toiro.

Luís Rouxinol enfrentou um manso encastado a abrir Praça, com 530Kg de peso. Após uma fase irregular nos compridos, a lide de curtos não resultou meritória, lidando em curto mas sem ocasionar o realce pretendido. O que abriu a segunda parte saiu com ímpeto, transmitia mas faltou-lhe alguma classe na investida. Rouxinol andou empenhado numa lide cuja nota foi positiva. Primeiramente montando o Amoroso, andou correcto e assertivo, mas foi no Ulisses que a prestação atingiu outro paladar. O toiro tinha raça, embora se tenha diminuído no final, e Rouxinol não descurou qualquer tempo, terminando com um palmo de dimensão portentosa, perante uma investida alta do cornupeto. A conseguida prestação terminou já passava das 00h, dia 8, data em que Rouxinol celebrara o seu 47º Aniversário, sendo tributado por uma calorosa ‘homenagem’ por aqueles que pisaram os tendidos de Beja. Deu para desanuviar…

Tito Semedo foi protagonista de duas prestações a seu estilo, com relevância para a primeira. O mais pequeno da Corrida, com 440Kg, era nobre e investia com classe nos capotes. Tito esteve dinâmico e reluzente, procurando o brilhantismo e optando por um toureio aparatoso e variado (nem sempre oportuno), sendo de destacar o primeiro curto e as boas intenções do cavaleiro de Santana da Serra. O quinto foi um ‘gazapón’ com poucas condições, algo ‘montado’ e de perfil altivo. Semedo porfiou por subir de tom, mas não se acoplou ao oponente, resultando a prestação algo intermitente.

O apregoado ‘triunfador’ da temporada 2015, João Moura Júnior, viu o foco da sua passagem por Beja na lide do terceiro toiro da Corrida. Feio de tipo, bisco, com 460Kg, não ocasionou dificuldades de maior ao de Monforte, que após uma desleixada cravagem dos compridos, foi crescendo nos curtos, com o segundo e terceiro ferro a resultarem vibrantes. O que fechou a corrida acusou na báscula 595Kg, quiçá algo pesado para o seu esqueleto, foi algo reservado mas com investidas algo bruscas e pouco claras. Moura andou com vontade e empenho mas a lide nem sempre alcançou a sequência pretendida, pecando por alguma inconsistência.

Disputavam três Grupos de Forcados o prémio para a melhor formação em Praça, com os três cabos a desempenhar o papel de Júri. Saiu vencedor o Grupo de Cascais, valendo a eficácia na consumação das pegas.

Pelos Amadores do Ribatejo, o cabo Pedro Espinheira enfrentou um Toiro que após a primeira tentativa se revelou maldoso, com o grupo a nem sempre conseguir responder com eficiência. Consumou a sesgo no quarto intento; João Guerreiro pegou o quarto da noite com um desempenho de fácil execução no primeiro encontro.

Por Cascais, Ventura Doroteia fechou-se rijamente na cara do segundo da noite, consumando à primeira tentativa; O cabo Joel Zambujeira, pegou o quinto à segunda, após uma primeira tentativa onde o Grupo não conseguiu corresponder. No segundo intento o Forcado esteve nitidamente fora da cara do Toiro, mas o Grupo deu por consumada a pega.

O terceiro Grupo era o da terra, Beja, e enfrentou um lote que não ofereceu facilidades. Primeiramente por Beja esteve Diogo Morgado, que consumou uma tentativa dura e de mérito ao segundo intento; Guilherme Santos, forcado de confiança do Grupo e vencedor do troféu de melhor pega no Campo Pequeno no passado dia 16 de Julho, enfrentou o maior da noite, com poder e brutidade na investida. Consumou à quarta, com o Grupo a não dar veleidades numa tentativa de recurso a sesgo.

Dirigiu com critério e acertadamente o Sr. Agostinho Borges, numa corrida com acentuada tónica para a vulgaridade…



Pedro Guerreiro
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